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O Paradoxo da Escolha

Como mais opções estão fazendo você infeliz

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Antigamente, as coisas eram melhores porque elas eram piores.

O dogma oficial e sua aplicação

Existe um dogma em nossa sociedade ocidental que diz que ter mais escolhas leva a mais liberdade; e que ter mais liberdade leva a uma maior felicidade.

Acreditando nisso, nossa sociedade tem, – progressivamente – caminhado no sentido de maximizar o número de escolhas disponíveis:

  • Quer comprar um celular? Há mais de 50 modelos dentre os quais você pode escolher;
  • TV a cabo? Cada plano tem mais de 300 canais;
  • Molho de tomate? Há toda uma prateleira de opções, que você pode misturar com mais de 100 variedades de macarrão e 300 tipos de temperos e azeites, resultando em 3575639 combinações diferentes;
  • Um par de calças jeans? easy fit, slim fit, skinny, cropped, rasgada, lavada, destroyed..

Ou ainda:

  • Casar ou não casar?
  • CLT ou empreendedorismo?
  • Home office ou mochileiro minimalista?
  • Pai de 5, fazendo home schooling, ou mãe solteira de pet?
  • Dieta paleo, low carb, ceto, veggie ou vegan?
  • L, B, T, X, W, Y ou Z?

Mas afinal, isso é bom ou ruim?

Existem muitos benefícios de se ter várias opções disponíveis e acho que esses são bem conhecidos. Por isso, eu prefiro aproveitar a oportunidade para falar do que pode haver de negativo

Paralisia e angústia – Pra começar: paralisia – muitas escolhas aumentam o tempo que você leva pra decidir; e essa indecisão provoca angústia. Mas ela não termina aí, pois, tendo escolhido, chegou a hora de se perguntar se você realmente escolheu a coisa certa: olhe só pra todos os benefícios (de A, B, C e D) de que você abriu mão ao escolher J.

Expectativas e Culpa – Além disso, nossas expectativas aumentam um pouco, certo? Afinal, com tantas opções disponíveis, uma delas tem que ser mais do que simplesmente “boa”, tem que ser perfeita. E se não for, a culpa é de quem? Sua, é claro, que não soube escolher.

Patologias em ascensão – Será coincidência que o crescimento exponencial da possibilidade de escolha, no Século XX, tenha sido acompanhado de um proporcional aumento de patologias pertencentes à classe do sofrimento por angústia (depressão, ansiedade, insônia, irritabilidade, stress, agitação, pânico, compulsões)?

Antigamente, as coisas eram melhores porque elas eram piores.

É claro que ter a possibilidade de fazer escolhas é melhor do que não poder escolher; mas disso não podemos concluir que ter muitas opções seja melhor do que estar limitado a um número razoável.

O que significa dizer que “antigamente as coisas eram melhores porque eram piores”? O paradoxo da escolha se revela invertendo a lógica da nossa atual sociedade: menos opções, menos tempo gasto escolhendo, menos angústia na hora de decidir, menos angústia após decidir, menos culpa por talvez ter escolhido mal, menor expectativa quanto aos benefícios de que se iria usufruir e – aqui vem o segredo – uma maior possibilidade de surpreender-se.

Qual o ponto de equilíbrio?

O modo de vida contemporâneo favorece uma sociedade em que estamos todos frustrados com nossas escolhas, estressados com o número de decisões que tomamos e incapazes de aproveitar as benesses que a vida nos oferece. Nada nos chama atenção, nada nos empolga pois tudo parece, de alguma forma, inadequado.

No fim das contas, nós nos tornamos inadequados. Quando começamos a nos questionar a respeito das nossas decisões existenciais, a coisa fica um pouco mais séria do que arrepender-se por um par de jeans. O estado de angústia e incerteza em que somos jogados pode facilmente levar a uma depressão, transtorno ansioso ou até mesmo o suicídio.

Qual o ponto de equilíbrio? Como cultura, não sei; mas parece que nós já passamos dele. Mas e como indivíduo? Qual o seu ponto de equilíbrio? 

 

Nota: Texto inspirado na conferência “o paradoxo da escolha” do psicólogo Barry Schwartz, proferida no TED Talk, em Julho de 2005.

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IMPORTANTE: O conteúdo deste blog é informativo, mas não deve ser considerado como suficiente para realizar um auto-diagnóstico ou decidir quanto a uma solução terapêutica. Se você está passando por algum tipo de problema, procure um profissional psicólogo que irá poder fazer uma avaliação mais detalhada de seu caso particular.

Gabriel Haddad

Gabriel Haddad

Eu sou psicólogo clínico, pós-graduando em Terapia Comportamental e trabalho ajudando jovens e adultos que querem vencer as limitações psicológicas que diminuem sua qualidade de vida, como: depressão, ansiedade, falta de habilidades sociais, baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos, transtornos compulsivos, dependência e outras.

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