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Como cultivar hábitos de estudo saudáveis

Uma série de dicas para melhorar sua produtividade acadêmica

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Muitos dos meus clientes tem dificuldades em cultivar bons hábitos de estudo. Alguns se sentam pra estudar não têm foco, têm dificuldades para absorver o que estão estudando, outros se distraem com muita facilidade e o estudo acaba não rendendo.

Pensando nessas demandas, preparei um artigo com algumas dicas fundamentais para melhorar os hábitos de estudo.

1 – Preparar um ambiente adequado para o estudo

O primeiro passo é deixar o seu ambiente de estudo organizado da forma que mais potencialize o comportamento de estudar.

Isso inclui encontrar uma mesa ampla o suficiente para acomodar livros, cadernos, lápis, notebook etc – tudo o que será efetivamente usado. Todo o material deve estar facilmente acessível.

Deveria ser desnecessário dizer mas: o estudo deve sempre ser realizado numa mesa, com o estudante sentado numa cadeira confortável; nunca recostado no sofá ou deitado na cama.

2 – Eliminar fatores de distração

Além de criar um ambiente confortável e deixar todo o material necessário acessível, é preciso dificultar a interferência de outros elementos e dificultar ao máximo o acesso a estímulos que podem distrair o estudante.

Assim, não se estuda enquanto se ouve música, nem com a TV ligada, nem com o computador ou celular abertos em páginas e apps que não tem a ver com o estudo.

Qualquer objeto não acadêmico ao alcance dos olhos e das mãos representa forte concorrente potencial contra cadernos e livros, especialmente para aqueles que ainda não adquiriram hábitos saudáveis.

3 – Selecionar, para iniciar os estudos, a disciplina preferida do estudante

Se existe a possibilidade de abordar as presentes dicas como um programa de reeducação (ao invés de algo aplicado às pressas, com provas iminentes), pode-se começar os estudos pela disciplina preferida do estudante (em geral a mais fácil e que exige menos esforço).

Isso vai ajudar a tornar a aquisição dos novos hábitos mais suave.

4 – Fracionar e organizar o material a ser estudado

Não é produtivo assumir uma atitude do tipo “sentar a bunda e estudar”. Especialmente se o estudante tem a tendência para procrastinar, abandonar o estudo, se está apresentando dificuldades de concentração ou de retenção.

Em lugar disso, proponho:

A – definir (realisticamente) o conteúdo que precisa ser estudado naquele dia;
B – fracionar esse conteúdo em unidades funcionais mínimas de conhecimento, de acordo com o nível de habilidade e capacidade de concentração do estudante;
C – Realizar pausas entre cada uma dessas unidades funcionais. (ver mais a frente, a dica 7)

Por “unidades funcionais” entenda tópicos ou subtópicos com começo, meio e fim. Que sejam nem tão pequenas a ponto de gerar um excesso de pausas; nem muito grandes, a ponto de saturar o estudante antes do fim da unidade.

Unidades de conhecimento escolhidas adequadamente diminuem a possibilidade de distração, minimizam frustrações e aumentam as chances do estudo se manter por um período maior

5 – Garanta que está compreendendo aquilo que estuda.

Muitos estudantes sentam-se, lêem o que precisaria ser lido e – ao final – saem apenas com uma impressão “vaga” do que foi estudado. Isso, evidentemente, passa longe do estudo verdadeiro. É preciso garantir que se compreende aquilo que se lê a ponto de ser capaz de explicá-lo a outrem, com palavras próprias.

Como ter essa garantia? Bom, diferentes conteúdos vão exigir estratégias diferentes; e uma discussão extensa foge um pouco ao escopo desse artigo. Mas em resumo:

  • Conteúdos que não demandam qualquer tipo de articulação criativa por parte do estudante devem ser memorizados pela repetição, bruta e simples. (exs: não faz sentido falar em “compreender” o alfabeto; o ABC é algo arbitrário e que deve apenas ser decorado e ponto; o mesmo se diga da nomenclatura de distribuição eletrônica da química; o nome das notas musicais; a numeração de leis jurídicas etc)
  • Já conteúdos a partir dos quais será preciso elaborar, improvisar e articular, para esses será preciso realizar um trabalho de compreensão. A memorização desses conteúdos é também essencial, mas ela é mais consequência do que o ponto de partida.

Um parêntese: É preciso derrubar os preconceitos acerca da memorização. Ela é uma capacidade essencial e deve sim ser desenvolvida. Muito do preconceito que hoje existe contra ela deriva – justificadamente – de pedagogias que incentivam a memorização desacompanhada do entendimento. Isso, de fato, não deve ser estimulado.

Falando agora de compreensão, é essencial que o estudante treine a si mesmo para ser capaz de re-expor o que foi lido/estudado com as próprias palavras, que seja capaz de justificar a estrutura de fórmulas matemáticas ou físicas, narrar eventos históricos com propriedade, expor os princípios dos quais deriva a legislação que está estudando, justificar a posição de tal ou qual pensador respeitando-lhe as particularidades etc.

Isso pode ser feito repetindo o conteúdo quantas vezes forem necessárias, seja por escrito ou oralmente. O estudante também pode se colocar na posição do professor e fazer a si mesmo perguntas que demandem raciocínio, estabelecimento de relações entre o que foi estudado hoje e conteúdos anteriores etc. No início, tudo isso vai requerer o apoio do material de estudo; mas este, progressivamente deve ser retirado, para garantir que o aluno de fato compreendeu e memorizou a matéria.

6 – Avançar somente quando houver compreendido o item atual.

Esta regra é simples. Não pular etapas. É preciso que o estudante avance para a próxima unidade apenas quando já demonstrar proficiência (compreende e consegue repetir) no que acabou de estudar.

O avanço pode ser lento no início, mas é preferível assim.

7 – Fazer pequenas interrupções programadas

A interrupção da atividade deve ser utilizada como prêmio pelo aprendizado e não como fuga do “cansaço” ou “desânimo”. Por isso uso o termo “programada”: Os intervalos serão feitos entre as unidades funcionais que foram delimitadas no item 4.

Assim, a atividade de estudar será interrompida apenas quando o estudante demonstrar que aprendeu (repete e explica) o trecho que está sendo estudado (que, se o conteúdo total foi bem dividido, é uma unidade de conhecimento com começo, meio e fim).

É preciso quebrar também o mito (enfatizado pelos espíritos mais exigentes) de que as interrupções são ruins ou atrapalham a concentração. Na verdade, elas ajudam na sedimentação do conhecimento.

Durante esses períodos, que devem ser breves, o estudante deve fazer algo gratificante; tomando cuidado para que não seja tão envolvente a ponto de atrapalhar o retorno aos estudos!

8 – Aumentar a exigência progressivamente

Por fim, para todos os parâmetros elencados acima, é sugerido que se aumente a dificuldade progressivamente. No começo, as unidades funcionais serão menores, as pausas serão maiores e o nível de exigência da auto-verificação do conhecimento provavelmente não será tão grande. Isso é aceitável quando se coloca em perspectiva que estamos instalando comportamentos de estudar e esse processo deve ser feito de forma progressiva.

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Você pode estar se perguntando: “Ok, Gabriel, tudo isso é muito útil. Mas eu tenho dificuldades de organizar até para começar os estudos.. Como parar de procrastinar? Como não deixar a matéria acumular para o último minuto?”

Bom, esse é um outro tópico, e que tem pouco a ver com métodos de estudo propriamente ditos.. Por isso fica para outro artigo, a sair, espero, em breve.

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IMPORTANTE: O conteúdo deste blog é informativo, mas não deve ser considerado como suficiente para realizar um auto-diagnóstico ou decidir quanto a uma solução terapêutica. Se você está passando por algum tipo de problema, procure um profissional psicólogo que irá poder fazer uma avaliação mais detalhada de seu caso particular.

Gabriel Haddad

Gabriel Haddad

Eu sou psicólogo clínico, pós-graduando em Terapia Comportamental e trabalho ajudando jovens e adultos que querem vencer as limitações psicológicas que diminuem sua qualidade de vida, como: depressão, ansiedade, falta de habilidades sociais, baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos, transtornos compulsivos, dependência e outras.

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